O Tartan é usado na Escócia desde o século III d.C e se tornou um símbolo da cultura e história dos escoceses. O tecido foi proibido durante um período por razões políticas, mas alcançou status de tecido nobre quando a aristocracia escocesa e a realeza inglesa começaram a usar, popularizando os padrões que atravessaram o tempo e chegaram até os dias atuais. Leia até o fim e conheça a história do Tartan e como o tecido criou a identidade dos escoceses. Vamos ler?
*Conteúdo criado por humano
A origem do Tartan
Usado na Escócia desde o século III d.C, a origem do Tartan
continua incerta. Surgiu como um tecido de feito de lã bastante resistente e
durável, com padrões em forma de quadrados e linhas sobrepostas que, segundo
algumas versões, eram tingidos com folhas, frutos e cascas de árvores típicas
das regiões do norte da Escócia, as Terras Altas ou Highlands.
Nestas regiões habitavam os clãs, agrupamentos de pessoas-
Higlenders- com um ancestral comum. Este ancestral comum dava o nome ao clã. As
cores do Tartan de cada região identificavam a que clã eles pertenciam criando uma identidade. Inicialmente eram feitos com quadrados em duas cores e como o número dos clãs
aumentavam com novas famílias se formando, os padrões se tornaram mais
complexas sendo acrescentadas linhas sobrepostas em outras cores.
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| Trajes feitos com Tartan. Via | National Museums Scotland |
O Tartan foi Inicialmente criado como um xale usado para
proteção contra o frio, e se transformou ao longo do tempo em uma vestimenta
que os escoceses adotaram para se diferenciarem dos irlandeses que vestiam as
roupas comuns da época. Os homens enrolavam em volta da cintura e prendiam com
um cinto, criando a primeira versão do que conhecemos como KILT.
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Lord Mungo Murray. Por Jonh W. Right-1683. Via | BBC Esta é a primeira pintura a retratar uma pessoa de corpo inteiro vestindo traje típico das Terras Altas. |
O Tartan e os jacobitas
E assim o Tartan simbolizou os Higlandres por um bom tempo.
A Escócia seguia a religião católica enquanto o protestantismo já estava na
coroa com o rei George II. Uma série de revoltas aconteceu na tentativa de
derrubar o Rei protestante e restaurar a Casa Católica de Stuart que se
originou na Escócia.
Em 1745 o Tartan tornou-se um símbolo de lealdade a Charles
Edward Stuart, conhecido como Bonnie Prince Charlie, que liderou um exército de
rebeldes escoceses, conhecidos como jacobitas, vestindo Tartans. Em 1746
aconteceu a última das revoltas em Culloden, terminando com a derrota dos
jacobitas.
O Tartan proíbido
Após a derrota final dos jacobitas o traje tradicional das
Terras Altas, que refletia o ambiente rural da região, foi banido, por uma lei
de 1747. Não somente o Kilt, (phillabeg), mas os casacos e as meias-
calças xadrez (trews) também foram proibidos por lembrarem os rebeldes
escoceses. O Highlander foi forçado a usar trajes das Terras Baixas, seguindo o
estilo de vestimenta europeu da época, perdendo aos poucos suas tradições, seus
vínculos culturais e históricos.
O kilt e o xadrez foram mantidos apenas para uso dos
soldados escoceses que serviam no exército britânico, transformando o que antes
era uma vestimenta regional marginalizada, símbolo dos rebeldes, agora
simboliza o poder do Estado que venceu os rebeldes. Quase quarenta anos depois,
em 1782, esta lei foi revogada e o uso do Tartan liberado para os civis.
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| Pintura retratando um soldado com traje Militar- 1780. Via | NMS |
O Tartan na Aristocracia
Em 1822 o Rei George IV pressionado pelos seus Ministros,
fez a primeira visita à Escócia para demonstrar a unidade entre ingleses e
escoceses. Nesta visita compareceu vestindo o traje típico das Terras Altas. Milhares
de espectadores vestidos com Tartan, seguindo um código de vestimenta
estabelecido pelo escritor Sir Walter Scott, aglomeraram-se nas ruas da capital
Edimburgo para receber o Rei que permaneceu na capital por duas semanas
marcando a primeira visita de um monarca ao norte da fronteira em 189 anos.
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| Rei George IV usando traje típico escocês. Via | Wikipedia |
A imagem abaixo mostra um traje xadrez feito especialmente para a ocasião de acordo com o código estabelecido por Sir. Walter Scott.
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| Traje escoces 1822. Via | The Scotsman |
Vinte anos mais tarde a Rainha Vitória ganhou de presente do marido, o Príncipe Albert, o Castelo de Balmoral, nas Terras Altas e mandou decorar todos os aposentos com Tartan, contribuindo ainda mais para o uso massificado do tecido. Assim, a Escócia deixou de ser uma ameaça, para se tornar um destino de férias do casal Real.
Sociedade dos Highlanders
Com as Terras Altas esvaziadas de muitos de seus habitantes
depois de Culloden, os aristocratas, cavalheiros e oficiais militares escoceses
formaram diversos clubes e sociedades por toda a Grã-Bretanha a fim de
preservar suas tradições culturais, buscando inspiração nos usos e costumes das
gerações anteriores, através de objetos remanescentes, de retratos e na
tradição oral. Mas o traje típico foi modificado para adaptar-se a era moderna.
Esta modernização da vestimenta das Terras Altas na virada
do século XIX gerou controvérsias. Eles divergiam sobre o que era o autêntico
traje e quem tinha o direito ancestral de usá-lo. Já estabelecido como moda,
novos modelos começaram a ser criados pelos alfaiates usando o Tartan, repleto
de enfeites comuns na era georgina que não traduziam o caráter nem os hábitos
dos escoceses.
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| Vestido na Era Georgiana. Via | NMS |
Os tecidos coloridos foram transformados em roupas para o
vestuário do dia a dia e para ocasiões especiais, usados como capas, vestidos e
roupas infantis, mas ainda mantendo a tradição de conjuntos específicos para
cada clã, com padronagens exclusivas criadas pelos tecelões, inspirados em
símbolos dos antepassados Higlanders. As amostras das criações eram organizadas
em catálogos, com etiqueta identificando o cliente, significando o uso
exclusivo do tecido. Estes catálogos garantiram a sobrevivência da tradição do
Tartan.
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| Catálogo de amostra de Tartan para um clã. Via | NMS |
Os escoceses promovem todos os anos o Encontro Anual dos
Clãs na capital Edimburgo, para celebrar sua herança cultural e sua história
familiar. Pessoas de diversos países se aglomeram nas ruas para assistir o
desfile dos grandes clãs com gaitas de fole e tambores dando ritmo a marcha,
usando o kilt com suas respectivas padrões coloridas.
O Tartan e os punks
Nos anos 1970, a Inglaterra atravessou uma grave crise
econômica gerando milhares de desempregados, principalmente os jovens. O
movimento "No Future", "Sem Futuro" foi criado e das ruas e
dos bares surgiu um estilo musical que marcou a década: O Punk. O visual trash com
roupas sujas e rasgadas, cabelos espetados coloridos e muitos alfinetes se
tornaram a marca dos punks, incluindo também o Tartan, como uma expressão de
antissistema, à semelhança da rebeldia dos jacobitas.
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| Punks em Londres: Tartan como símbolo de rebeldia. Via | Pinterest |
E para concluir a história do Tartan que teve sua origem na Escócia e sobrevive até hoje sempre aparecendo nas coleções de marcas globais, a marca Burberry é um exemplo. Ela ficou conhecida por criar um padrão exclusivo nas cores branco, bege e preto e vermelho incialmente para ser usado como forro nos trench coats e depois ganhou a preferência se seus consumidores e se transformou em tecido para diversos itens fabricados pela marca, incluindo o vestuário. O padrão original abaixo foi registrado em 1923; algumas fontes citam 1942 como o ano do registro da patente do padrão. Confira no link da imagem.
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| Tartan original da Burberry- Via | The Scottish Register of Tartans |
E por hoje é isso.
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FONTES
https://www.nationalgeographic.com/travel/article/scotland-tartan-plaid-real-history
https://www.nms.ac.uk/discover-catalogue/highland-style-tartan-trends-in-georgian-britain
https://www.historic-uk.com/HistoryUK/HistoryofScotland/The-History-of-Tartan/
Outras fontes consultadas estão nos links das imagens.









